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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

De Lenin a Churchill - São Petersburgo, Rússia (9º dia)

São Petersburgo (Санкт-Петербу́рг)
   Cheguei em São Petersburgo. Eram por volta das 5:00. Ainda estava escuro.
   Me perdi um pouco e procurei pedir informações a quem aparecia. Não eram tantas pessoas. Um casal que entrava em um carro e um cara que fechava a sua loja. Cheguei no hostel.
   Enquanto escrevia um e-mail, um russo abriu a janela na minha frente e o clima era de montanha. Himalaia, Aconcagua... Muito frio mesmo, ao contrário do clima agradável que fazia em Moscou.
   Descansei um pouco, sai pra caminhar. Pouco tempo, muito pra ver...

Avenida Nevsky (Невский проспект)
   Andei, tirei fotos. Estilo europeu em quase todas as construções. Exceto a Igreja de Nosso Salvador sobre o Sangue Derramado. Falarei melhor sobre ela em outro post. Quanto aos outros lugares, tem até uma cópia menor da basílica de São Pedro. Nesse dia, tirando o Hermitage, não entrei em lugar nenhum. Só queria saber o que tinha na próxima esquina.
   Evitei falar com as pessoas. Acho que tava cansado de ninguém falar inglês e eu, quando muito, só saber perguntar e ter que adivinhar a resposta. O pior é quando o cara queria puxar assunto depois... mico total... Divertido no começo, mas acho que depois de uma noite maldormida, tudo fica mais sério...
Arcos externos no Gostiny Dvor (Гостиный двор)
   Fui parar numa espécie de shopping/galeria, chamada de Gostiny Dvor. Um dos primeiros shopping do mundo. foi construído no século 16 !!! O esquema era só ir andando em linha reta e se ia se mudando de uma loja para a outra. O que eu queria mesmo era um lugar quente. Nessa de entrar por uma porta e entrar em outra, fui parar numa estação de metrô que tinha dentro. Quase passei pela catraca sem querer. Nesse lugar, aproveitei pra comprar uma encomenda de um amigo: um pincel... não sei pra que, mas ele queria um pincel russo. Pedido estranho, a princípio, mas melhor isso do que um cossaco com o pincel na mão... E tá escrito: feito na Rússia ( pelo menos eu acho que é isso... hahaha )
Avenida Nevsky (Невский проспект)
   Fui tentar comprar cartões escritos em russo. Missão impossivel. Só consegui um simples (Que perdi em algum lugar no caminho). Outros não consegui, nem com o dicionário. Tentei a vendedora, mas não deu mesmo. Ela também não tinha muita paciência...
   Acabou a pilha da câmera. Achei uma farmácia para comprar. Abro a porta. Em linha reta pra pora, dou de cara com uma funcionária agachada arrumando os produtos. Dava pra ver que usava uma calcinha dessas de sex shop. Curioso foi que ela ficou naquela posição todo o tempo que fiquei lá dentro. Umaboa forma de chamar clientes homens... hahaha Acabei olhando. Um segurança se aproxima e elogia a minha câmera. Ok, valeu. Melhor seguir o meu caminho.
   Continuei pela avenida Nevski. Já estava na hora de comer. Não sentia fome. Todos esses dias, forcei comer. Não como de manhã e as 6 horas de diferença fazem não querer comer na hora de almoço. No final da avenida, vi um restaurante com kebab, o nosso churrasco grego, mas até achei menos gorduroso. Pedi um prato com kebab, arroz e batatas. Não foi caro. Tentei, mas não consegui comer mesmo. Devem ter pensado que não gostei, mas recomendo o lugar.
Museu Hermitage (Эрмитаж)
   Fui para o museu Hermitage. Ele é realmente incrivel. Eu tinha comprado o bilhete pela internet antes de sair do Brasil. Tinha ouvido falar em longas filas. Deve depender da época do ano. Como não leio nada em russo, apesar de ter o direito de tirar foto, não sabia disso, mas só descobri quando já tava dentro do museu... viva o celular...
Salão do Hermitage - fantástico
   Lá tem obras de arte desde a idade da pedra, até arte contemporânea. É absolutamente enorme. Não entendo nada de arte, mas uma obra que uma criança faria na idade da pedra, é compreensivel. Não existia a bagagem de conhecimento que a humanidade tem hoje, uma escola de artes para que se desenvolvesse um grande trabalho.
Hermitage: cada passagem uma surpresa
 Na verdade, essas pessoas iniciaram tudo e surgiu delas o conhecimento. Mas depois de ver grandes obras, absolutamente perfeitas, fui parar na sala onde tinha um Picasso e, sinceramente, dá vontade de jogar aquilo fora... Não entendo mesmo porque se paga milhões por um quadro desses. Já tentaram me explicar que é o preço do estilo da peça, mas sei lá...
Hermitage: Grandioso
   O museu é todo dividido por estilos de arte e se pode dar de cara com esculturas fabulosas ou com uma sessão egípicia incrível.
   Os salões por si só já são obras de arte. Cada salão uma surpresa. Estilos diferentes. a maioria grandiosos, outros nem tanto. Tudo impecável.
   Alguns itens tem incrições escrita para não tirar fotos e apesar da tal taxa para fotos, muitos não pagam e tiram mesmo assim.Na verdade, não vi ninguem sendo perguntado se tinham o não o tal bilhete...
  
Hermitage: o que há no próximo salão?
   Um detalhe interessante do Hermitage era que de quadros a esculturas, de arte rupestre a sarcófagos, todas as peças grandes ficavam fora de proteção de vidro. Cheguei minha mão perto,como se fosse tocar. Essa sensação de proximidade é ótima (mas é claro que não toquei, não sou louco... hahaha).   
   Já estava quase saindo so museu quando vi uma outra entrada. Lá era a parte da arte rupestre. Ao lado do guarda volumes. Até acho que deveria ter começado por lá. Tinha pouca gente nesses salões, talvez a maioria nem soubessem que eles existem.
Hermitage: Fascínio
   Lembrei de ir na parte das obras mais modernas. Perguntei pelo Picasso. Me indicaram. Vi além deles outros quadros de pintores igualmente famosos. Uma sala pra cada grande pintor.
   É incrível ver um quadro que de perto só parece um monte de pontinhos e quando se ve do outro lado da sala, existe uma linda pintura. Trabalhoso, lindo e genial.
Ensaio do desfile do Dia da Vitória (9 de maio)
   De repente, omeça o som de uma marcha militar. Todos foram pras janelas. Era algum tipo de exibição militar. Naquele momento não tinha como saber. Depois, no albergue, soube que era para as comemorações do Dia da Vitória (9 de maio).
   Como outros, comecei a bater fotos da parada das janelas do museu do que acontecia lá fora. Até uma mulher me dizer que eu não poderia. Mas porque eu não podia fotografar com o meu celular e um outro turista com uma câmera enorme bem ao meu lado podia? Ao invés de discutir, resolvi sair do museu.
Ensaio do desfile do Dia da Vitória
   Me perdi, acabei vendo umas salas que não tinha visto ainda. Que museu enorme.... E eu parecia ser o único que não tinha um mapa... (peçam o mapa na hora de pegar os bilhetes. Só me deram uns panfletos...)
   Enfim, achei a saída. Consegui filmar um pouco o ensaio. Cheio de estilo. Lembrei da troca de guarda no La Moneda, no Chile, ou do nosso 7 de setembro aqui no Brasil.
Colunas Rostrais (farol símbolo de vitória)
Almirantado ao fundo
   Continuando a caminhada, fui até a fortaleza de São Pedro e São Paulo.
   Realmente, São Petersburgo é o maior destino de turistas. Vi muito mais do que em Moscou. Nada comparado ao absurdo de gente que se vê em Londres, Paris ou até mesmo Buenos Aires, mas ela é bem visitada mesmo. E merece. É muito bonita.
Entrada pela praia da fortaleza de São Pedro e São Paulo
   Próximo a entrada da fortaleza, vi uma praia. Com o frio que fazia, não se espera ver ninguém de biquini ou sunga. As pessoas gostam de ver o mar e tirar fotos. O lugar é lindo mesmo. Mas todo mundo andando encasacado na praia. Duvido que alguém entre naquela água.
    A fortaleza estava aberta, mas os prédios já estavam todos fechados.
Fortaleza São Pedro e São Paulo
   Me sentei em um banco e descansei. Fazia horas que não parava, enquanto via um grupo que entrava.
  Tudo muito interessante, masestava cansado e não queria que a noite me pegasse. Precisava partir.

Teto da mesquita
   Tinha que passar a ponte para o outro lado e acreditem: foi horrível. O vento batia forte e aumentava exponencialmente a sensação de frio. Fazia gelar os ossos. A cada pilastra da ponte, eu parava um pouco para retomar a coragem de continuar passando, enquanto olhava outras pessoas, de lá mesmo, passarem fazendo cara feia por causa do frio e do vento cortante. E pra ajudar, o ziper da minha jaqueta, que tinha comprado na Bolivia, tinha estragado. Ainda tinha que ficar segurando ela pelo meio, mas era como se não tivesse nada. A minha única compensação eram um par de luvas que um colega no Brasil tinha me emprestado.
Até banheiro em cirilico é curiosidade :-)
   Logo após a ponte, vi um espaço, era o Campo de Marte, e no meio um fogo, uma chama eterna. Outros já estavam lá aproveitando pra se aquecer, enquanto tiravam fotos. Sinceramente, não conseguia dar nem mais um passo. Por mim, ficaria lá mesmo. Mas tinha que encarar mais um pouco o vento que ficava cada vez mais frio a cada minuto.
   Passei pela Igreja do Nosso Salvador sobre o Sangue Derramado. Estava fechada. Deixa para outro dia.
   Bom, cheguei no albergue exausto, depois da caminhada. Nessas horas, cada passo foi realmente um custo enorme. Fui direto tomar um banho. O banheiro era limpo e caia bastante água e aposto que lá tem o único chuveiro com rádio da cidade...hahaha
   Não consegui dormir. O cara na cama embaixo da minha estava dormindo e roncando feito um porco. Um quarto pra umas 20 pessoas, ninguém aguentou ficar lá dentro. Só eu fiquei ligando via Skype pra casa. Descobri que ao bater a minha chave na cama de metal, ele dava uma trégua no ronco. Fiz isso até que uma hora não deu mais certo. A menina do albergue tentava acordá-lo. Não deu. Fui dar um tempo no computador. Depois, quando passou a tormenta, fui dormir.

Um comentário:

Jorge Jucá - Blog disse...

Parabéns pela qualidade das informações e a formatação do Blog.

Jucá.

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