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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

De Lenin a Churchill - Tallinn, Estônia (14º dia)

Kiek in de Kök: Antiga torre, hoje um museu
  Chegada em Tallinn, na Estônia. A manhã estava fria. O ônibus nos deixou próximos a uma estação de barco. 
As pessoas sumiram numa velocidade recorde. Talvez a maioria estivesse para embarcar.
   Me perdi bonito. Tentei usar o GPS pela primeira vez. O mapa virtual estava com defeito. Nenhuma pessoa nas ruas. Só os carros que passavam. Comecei a andar.

Pelas ruas da Cidade Velha (Old Town)
    Só tinha um mapa na mão somente com a Cidade Velha, mas como chegar até lá? Não ia abrir a mochila pra pegar o mais completo. Estava muito no fundo. Devia ter organizado. Continuei andando. Fui parar numa vizinhança de casas. Demorei até ver uma alma perdida naquelas ruas tranquilas, porém vazias. Uma mulher, até bonita. Meu erro, agora sei, foi perguntar pelo nome da rua. Deveria ter simplesmente pedido pela "Old Town". O pior é que tinha uma rua próxima com o nome parecido.
City Hall - Old Town
   Das pessoas que encontrei no Bálticos, posso dizer que são, na maioria, bem prestativos. Mas, descobri nesse dia que nem sempre uma boa intenção ajuda. Apareceu um senhor andando com o cachorro. Perguntei sobre a rua. Ele me indicou a mesma pela qual eu já tinha passado. Respondi que não era. Ele me pediu pra segui-lo.
Castelo Toompea
E lá fui eu, já cansado com a mochila nas costas, seguindo aquele bom homem passeando com o seu minusculo cachorrinho, que fez questão de me levar a um lugar que, com a continuação, ficou claro que ele não sabia onde era. O bom da história foi que comecei a reconhecer os lugares no meu pequeno mapa. Era um parque chamado Toompark. Tentei me despedir do homem, mas ele insistiu que eu continuasse atrás dele. Fiquei sem jeito. Ele tinha saido da sua rota e a essa altura, o cachorrinho cansado já estava no colo dele.
Jardim do Rei da Dinamarca - Invasão de 1219
A diferença de tamanho fazia aquela cena me lembrar o Obelix dos quadrinhos. Isso me ajudava a me concentrar em outra coisa além da interminável e silenciosa caminhada. Até que, ao nos aproximarmos mais do Centro, ele disse que era para aquele lado, se despediu e voltou.
Local e música medieval: volta ao tempo
   Peguei a primeira rua a esquerda e começou a minha subida. A Cidade Velha de Tallinn foi feita no alto de um morro. Era uma forma de dificultar a vida dos invasores. Naquele momento, dificultava também a minha.
   Achava o lugar legal, mas naquele momento, só sabia de querer chegar logo ao albergue.
   Encontrei um garoto. Parecia ter uns 12 ou 13 anos. Perguntei a ele se falava inglês. Levei um susto na resposta. Ele tinha uma voz extremamente grave. Não combinava com a aparência franzina daquele garoto. Este tem um ótimo futuro em locução. Fomos conversando sobre a cidade, sobre o caminho dele até a escola na "Old Town". Acabou me deixando praticamente na frente do albergue. O locutor foi uma compania agradável.
   Dei entrada no albergue e como sempre, como chego de manhã, tenho que dar um tempo pra poder fazer check-in. Guardar a mochila no guarda-volumes e hora de caminhar.
Catedral Alexander Nevsky
   De todas as capitais dos países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia), Tallinn é a mais cheia de turistas. Talvez pela proximidade com Helsinque (menos de duas horas de catamarã) que se aproveitam dos seus preços muito mais baixos, o famoso milagre da cotação.
   Subi até a Catedral Alexander Nevski. Estava tendo um casamento na hora. Acabei não entrando. Próximo, tinha um antigo castelo. Se podia ouvir uma alegre música medieval vindo de uma de suas portas de pedra. Achei um bom lugar pra ver a cidade. Voltei até a Praça principal.
Olde Hansa
   Desci até a saída da Cidade Velha. No caminho, comprei um saco de amendoim em um dos vários quiosques do Old Hansa. Talvez a coisa mais barata. Feito na hora, com canela. Muito bom e com um gosto bem mais forte. Nadaa ver com o dos vendedores que aparecem aqui no Brasil... hahaha
  Fui até um shopping chamado Viru para comprar um pen-drive.
Venus Club
O espaço nos cartões de memória já estava acabando e eu precisava fazer um backup. Aproveitei pra ir almoçar. Encontrei um Lido. A mesma rede "pague pelo que pegar" de Riga, na Letônia. Dei mais uma volta lá por dentro mesmo. Inclusive, próximo a esse shopping, tem o Venus Club que é um antigo prédio que hoje é um night club com lindas dançarinas.
O medieval indo ao século XXI
   Do outro lado das antigas muralhas se pode ver uma cidade com bela mistura de prédios modernos aos outros, mais antigos.
    Voltando a Cidade Velha, passei por alguns grupos de garotas loiras, todas vestidas de rosa. Pareciam barbies de carne e osso. Taí uma coisa que não vjo todo dia...
    Estava perto da praça principal, quando vi um grupo de pessoas vestidas com roupas da época. Todos se davam as mãos.
De volta a Idade Média: Brincadeira com turistas
Um grupo de uns quatro ou cinco esperava a sua vez e saia correndo para a praça. Resolvi correr pra ver o que acontecia. Eles tinham feito uma roda na praça e uns turistas estavam no meio. Tinham sido pego desprevinidos. O tipo da dança lembrava um pouco uma festa junina. Uma surpresa para todos e foi bem divertido. Depois saíram da mesma forma que tinham chegado. Ficou meio sem explicação, mas deu a sensação de que tudo pode acontecer. Barbies, danças, musicas medievais...
Entrada da Cidade Velha
   Voltei ao albergue pra fazer check-in.
   A noite, me juntei com outra dupla de gringos pra dar uma volta. Praticamente saímos da Old Town para procurar um lugar que um deles procurava e que nem sabia aonde era. Pra ajudar, estava chovendo. No final, só serviu pra andar na cidade a noite.
Opera House
   Acabei indo num mini-mercado próximo. Precisava comprar comida. Olhei pra uma prateleira: water, rice, FEIJÃO PRETO. Opa !!! isso foi realmente tentador. Quase comprei. Eram latinhas escritas em bom português. Mas infelizmente era muito pra eu comer sozinho. Se tivesse um outro brasileiro lá, com certeza, eu iria sugerir pra gente dividir.
   Voltei pro albergue. Naquela tarde, tinha um coreano comigo no quarto. A noite, uma coreana.
Muralhas da Cidade Velha
Será que eles se transformam a noite? Não... eles não se gostavam mesmo. Tinham separado os roteiros lá em Tallinn e fizeram uma confusa troca de quarto. Fiquei conversando com ela. Eles tinham vindo pela Trans-siberiana. Inclusive, essa garota acabou fazendo uma verdadeira viagem de volta ao mundo. Viajou por todos os continentes. Até aqui. Pude leva-la, no final do ano, pra ver os fogos em Copacabana. Nem eu tinha ido. Nunca tinha ligado muito, mas é realmente um show incrível.

Um comentário:

Carol Wieser disse...

Nelson,

Estamos conectados pelo twitter (@travelforever) e vim aqui dar uma olhadinha no blog. Adorei. Parabéns pelo conteúdo e sucesso pro blog.

Também tenho um blog de viagens (www.travelforever.com.br), a hora que tiver um tempinho vá lá conhecer.

Abs,

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