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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

De Lenin a Churchill - Moscou, Rússia (7º dia)

Catedral de Cristo Salvador
   Primeira coisa, comer. Fui a uma lanchonete de uma rede de fast food russa chamada Teremok, por sinal, em frente ao Mc Donalds. Quem pensou em hamburguer, pizza ou, talvez, em esfihas, se enganou. São panquecas (blinis).
   Por sinal, tem várias barraquinhas vendendos esse tipo de panqueca. Eram muito gostosas. Inclusive, me lembrou as da minha mãe :-). Os recheios é que mudam. Tem diversos tipos: doces e salgadas. Vale a pena, pedir o cardápio em inglês, escolher e apontar o que se deseja (a não ser que fale russo).
Panqueca com kvas no Teremok
   Tinha que pedir alguma coisa pra beber. Li na internet sobre um tal de kvas. Pedi um. Veio um copo de bom tamanho e tinha um desenho de trigo no copo. Bom, o sabor me pareceu algo entre o chã e o refrigerante. O cheiro parecia de cereal e o gosto levemente amargo ao engolir. Nada demais. Não fui muito fã, mas conheço gente que iria gostar.
Vista do Kremlin da Catedral
   Resolvi ir na Catedral do Cristo Salvador. Fui para a estação do metrô. Tinha que comprar o bilhete. Tinha tido recentemente um atentado em Moscou e a vigilância estava obviamente mais reforçada. Tinham dois policiais. Escolhi a mulher. Ela segurava a coleira de um belo e comportado pastor alemão. Perguntei um atrapalhado "gdie billet?", querendo saber sobre a bilheteria (kacca). Ela riu do meu jeito e me apontou o local. Um spassíba (obrigado) pra agradecer. Não sei falar, mas tento ser educado... hahaha
Paineis do metrô de Moscou: únicos
   O metrô de Moscou é muito fundo, extremamente rápido, tem a um a cada minuto e cobre a cidade toda. O esquema de uma linha principal circular ligando as demais facilita muito na hora de decidir qualquer conexão. Com certeza, o melhor metrô que usei até hoje. Sem contar a decoração dos tetos e das paredes. Algumas, inclusive, tem painéis incríveis que se dá de cara sem fazer qualquer esforço. Todas as estações são lindas e sempre com motivos soviéticos. Alguns túneis mais parecem o teto de uma igreja do que um metrô.
   Saltei na estação Kropotkinskaya.
Saindo dela, se dá de cara na praça com a suntuosa e linda Catedral do Cristo Salvador. Ela foi construída como homenagem pela vitória contra Napoleão, destruída pelos soviéticos e reerguida há somente 10 anos, exatamente como ela era. Acho que essa igreja significa superação.
Ponte sobre o rio Moscou
   Fiquei emocionado de verdade. Não pela beleza, mas pelo que ela representa. Senti mais do que na Praça Vermelha. O metro quadrado no entorno é realmente caro. Não espere comprar um imóvel lá tão facilmente. Entrei. Vários corredores  e uma segunda capela no subsolo. Vi um banco, me sentei. Vi que todos me olhavam. Aproveitei pra procurar algo na mochila e assim, desviei a atenção. Realmente não se senta em igrejas ortodoxas. O banco é reservado a idosos ou quem tem dificuldades de locomoção.
   Me disseram que a região na frente da igreja é o metro quadrado mais caro de Moscou.
Pedro, o Grande: homenagem duvidosa
   Como a vida não é só feita de belezas, passei pela estátua de Pedro, o Grande. Esta grande e visualmente confusa imagem foi incluída na lista das 10 construções mais feias do planeta. Uma obra faraônica de muitos metros de altura que foi reaproveitada. Era pra representar os 500 anos da viagem de Colombo pra América, mas como ninguém quis ela, puseram a cara do homenageado atual. Não que ele não merecesse uma homenagem, afinal de contas, ele foi o fundador de São Petersburgo, abrindo os portos da Rússia, mas poderia ter sido uma melhor... Ela é estranha e feia de verdade... Da vontade de rir...
Parque dos Monumentos Caídos
   Seguindo o caminho, fui ao parque dos monumentos caídos. De lá, se tem uma boa visão da estátua de Pedro o Grande e é junto ao parque Gorky. Mais um pouco dos símbolos da velha USSR. Depois de pagar 100 rublos, lá estava eu, vendo mais pessoas brincando com seus filhos, garotas tirando fotos delas mesmas, por sinal, coisas que tenho visto muito por aqui, no meio dos velhos monumentos e de alguns mais modernos, do tipo arte plástica.
   Resolvi perguntar a senhora que trabalhava no caixa pra que lado era o metrô.
Os camaradas permanecem juntos
Quando me aproximei, ela virou a cara, meio que tampando com a mão. Mesmo assim, como das outras vezes, tive a resposta que precisava, disse pajausta (com licença). Ela olhou. Quando perguntei onde elra o metrô, ela fez um gesto de "é pra lá", na direção da rua. Grandes coisas... eh claro que não era pra dentro do parque... haha Em seguida, começou a apontar pro caixa, reclamando. Ficou claro que ela queria dizer algo como que ali era o caixa e não um balcão de informações. Melhor cair fora. A medida que fui me afastando, fui escutando ela reclamar cada vez mais alto. Deixa pra lá...
Parque Gorki/Kulturi
   Na saída, não quis entrar no parque Gorki, mais conhecido como parque Kulturi. Lá tem, entre outras coisas, uma montanha russa, um tipo de ônibus espacial e uma área verde. Um ótimo lugar pra ir com a familia. Mas não me pareceu ser o lugar pra ir naquele momento, afinal de contas, sabia que não teria tempo para tudo, mas é um passeio bem interssante, principalmente para se ver o povo se divertindo.
   Me chamou a atenção os cartazes com o escudo da URSS que vi diversas vezes pela cidade.
"Dia da Vitória": 2ª Guerra Mundial
Ficava pensando se seria comercial de uma marca de cigarros ou coisa assim, usando os velhos símbolos. Tem muita gente que não quer o regime, pois ganhou muito dinheiro após ele. Tem muita gente que sente falta do regime, pois com ele, não havia pobreza, nem fome. Cada um pelo seu ponto de vista, tem razão. Descobi que era a propaganda do Dia da Vitória. Este dia é celebrado no dia 9 de maio e se refere a vitória da URSS contra os nazistas. Não tem como negar: muitas das grandes conquistas foram feitas durante o regime comunista. Infelizmente, não estava na Russia neste dia, mas pude ver o ensaio da parada militar em São Petersburgo. Tema pra um futuro post.
   Assim, continuei a procura do metrô. Fui parar na praça Kaluzhskaya e mais uma estátua enorme do velho Lenin. Ele ainda parece ser popular, vestindo a sua capa que voa ao vento. Quase um superhomem, retratado sempre extremente sério com toda a pose de quem tem o poder.
   Já que não sabia mais onde eu estava no mapa. Confesso que sou especialista em me perder, mas sempre fui guiado pela sorte, pois sempre encontrei um lugar legar ou uma pessoa legal ao meu encontro. Parte dos meus melhores momentos de viagem sempre foram associados ao fato de ter me perdido. Acho que nem quero me achar tanto no mapa.
Não é uma igreja, é a estação do metrô de Otyabrskaya

   Embaixo da estátua, tinham duas garotas. Perguntei a elas aonde era o metrô. O q elas fizeram? Me responderam com todos os detalhes normais de uma informação. Bem diferente da outra senhora... haha Eu deveria seguir a esquerda e atravessar a rua e logo depois do semáforo, eu veria o M do metrô. Me assustei por ter entendido isso. Ainda não sei como.
Estação de metrô: linda
Na hora da necessidade, o cérebro parece recuperar toda a informação que se conhece: um guia, uma conversa, associações com palavras parecidas. Sempre corre-se um risco como em embaraçada (português) e embarazada (espanhol).
   Tive dificuldade pra atravessar a rua, indo para a estação.
Igreja Kazan (não a catedral Kazan) 



O trânsito em Moscou está muito longe de ser considerado tranquilo. Muitos carros. E na hora do rush muitos engarrafamentos, motoristas estressados, como em muitas grandes cidades. Quem espera só ver Ladas, vai se decepcionar. Tem carros de todas as marcas. Alguns que nem temos aqui. Nada como Copenhague, mas como estão mais perto dos grandes fabricantes e talvez os impostos não sejam tão altos como os daqui, os preços são melhores e eles podem se dar a esse luxo.
   Percebi, no final das contas, que tinha passado ao lado da estação, mas o Lenin tinha me chamado mais a atenção q um M vermelho. Era a estação Otyabrskaya.
Igreja da Ascenção - Parque Kolomenskoie
    Fui ao parque Kolomenskoie. É um parque museu incluída como patrimônio da humanidade. Varias igrejas antigas e campanários. Desde a entrada, já se pode ver as construções. Logo na entrada tem um mapa que dá uma noção do que se tem. Com certeza, deve ficar muito mais bonito durante a primavera e o verão, com as árvores cheias de folhas, mas mesmo assim, o clima do local era agradável. Quase comprei umas panquecas numa barraquinha, mas me limitei a uma garafa d'água.
Palácio do coronel - Parque Kolomenskoie
   Um grupo de pessoas visitava o parque com um guia. Pensei em roubar informações, mas eles estavam andando muito devagar. Preferi andar.
   De lá, uma bela vista de Moscou. Se pode comprar o ingresso para subir.
   Lá a paz corria solta: pessoas caminhando, alunos de pintura usando os belos prédios para treinar os seus desenhos, pessoas tirando fotos de tudo ( eu também, é claro ), amigos conversando, casais namorando ( por sinal, nada de selinho nos namoros. Os que vi são bem animados... ).
Vista do parque Kolomenskoie
   Resolvi me deitar na grama, usando a mochila de travesseiro, enquanto ouvia duas garotas e um cara conversando, acho que sobre politica e economia. Não entendia nada, mas sabia que eram estes os assuntos. Adormeci por um tempo. De repente, os sinos da torre começaram a tocar. Não eram simplesmente toque de sino. Eles tocavam uma música harmônica, porém muito longa. Gostei bastante e me senti mais em paz. É realmente um ótimo lugar para relaxar.
   Eram 18 horas. Tratei de sair. Começava a ficar frio. O trio de amigos também se preparar pra sair. Tratei de achar o meu metrô de novo...
   Não queria sair pela mesma entrada e andei um pouco mais. Comecei a ver mais crianças. Tem uma parte melhor para elas.
   Por onde sai,os prédios eram cinza e parecia mais como eu imagino terem sido a maioria na época da URSS.
   Foi relativamente fácil achar novamente o metrô e como eu sempre comprava bilhete para 3 viagens, foi tranquila a volta.
Saída lateral do parque
   No albergue, me disseram para nunca cozinhar com água da torneira. Comentei que eu fervia a água. Ninguém queria garantir muito. Por via das dúvidas, já que não queria a mesma experiência de idas ao banheiro que tive nas duas vezes que fui a Argentina, fiz um miojo com uma água mineral que os ingleses do dia anterior, quando foram embora me deixaram. Era um galão de água. Usei e dividi com um chinês que estava no meu quarto a quem tinha mostrado,  naquela manhã, um pouco da nossa música, como Tim Maia, e tinha gostado bastante.
   Nessa noite, tive uma experiência bem interessante. Conversei com uma russa no albergue com o uso dos tradutores. Cada um em um computador e usando um programa de tradução. O dela era diferente do meu e bem especializado no russo. Funcionava muito bem. Acho que ela me entendeu relativamente também, apesar de algumas caras do tipo: "o que ele quis dizer". Mas foi engraçado. Bem legal :-D

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