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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

De Lenin a Churchill - Preparativos - Parte 2 (Russia)

Visto russo - Primeiro passo
   Neste post, o foco será somente sobre os preparativos para a Russia. Foi realmente o que deu mais trabalho. E foi uma verdadeira quebra de barreiras. A Russia é sim uma quebra de barreiras e falo das pessoais. Vimos ela como misteriosa e realmente tem os seus mistérios, e de repente, estar cada vez mais próximo de pisar na Praça Vermelha, é realmente incrível.
   Primeiro passo, visto para a Russia. Ir pra lá era muito importante pra mim e disso dependia todo o roteiro.

   Vi algumas informações diferentes entre o site da embaixada e o do consulado do Rio, então resolvi falar direto na fonte e fiz minha primeira visita ao consulado russo. O local parece uma fortaleza. Um muro alto e um portão na frente com uma guarita. Curioso que a bandeira russa não estava hasteada e só tinha uma pequena placa na frente, que só se via ao se aproximar do grande portão de entrada. Falei o que eu queria, apesar de não ter entendido a resposta, uma voz feminina com um português enrolado, mas o portão abriu e entrei. Primeira vez em território russo, pensei :-)
   Lá tinha uma saleta com grande espelho de um lado e um vidro do outro com um escritório do outro lado. Me lembrei dos filmes de militares onde tinha uma sala de interrogatório e os investigadores do outro lado do espelho fazendo as perguntas. Por via das duvidas, melhor me comportar... :-) No escritório, tinha uma senhora séria e com um jeito duro de falar. Perguntei do que precisava e ela disse somente pra eu preencher o formulário e pedir ao albergue o "Visa Support Letter" e que eles saberiam do que se trata. tentei perguntar mais, mas ela repetiu a mesma informação. Me entregou por uma gavetinha o formulário. Depois vi que o mesmo documento pode ser encontrado no site do consulado russo.
   O "Visa Support Letter" é um "convite" de alguém. Pode ser um amigo, um hotel ou um albergue. Existe um site que promete vender este convite. Eu cheguei a ler isso e depois conheci gente no albergue que disse ter feito isso. Sei lá... Melhor fazer direito... Bom, então tratei de reservar os albergues em Moscou e São Petersburgo. O maior problema foi a incerteza se o papel chegaria (nunca tinha recebido uma carta da Russia - tinha lido que deveria ser um documento original) e não queria perder o preço que tinha visto das passagens, mas sem o convite não dava...
Recebi o convite dos dois albergues. Vieram por e-mail. É aceito assim. Mais prático. Na verdade, não precisava dos dois, já que com um convite se pega o visto que vale para toda a Russia. Só não pode ficar mais tempo no país do que o declarado. Sobre vistos, veja os posts #2 e #3 clicando aqui.
   No e-mail tinha uma unica folha. Me disseram que aquele convite valia como voucher turístico e confirmação da reserva. Paguei por ele lá, com as diárias, nada muito caro, coisa de uns R$ 50,00 - 900 rublos. Paguei também pelo registro na cidade. Em cada cidade, se deve pagar um registro para poder circular. Diziam que a cada esquina um policial pede os documentos. O registro sai uns 500 rublos.
   Na segunda visita, a primeira diferença é que tinha alguém visível na guarita. Lá dentro, tinham três pessoas. A mesma senhora, um rapaz e uma garota. A garota me deu um sorriso. Quebrou um pouco do gelo que aquela pequena saleta tinha até então. Fui atendido pela mesma senhora. Entreguei os papeis (formulário e voucher - "convite") e passaporte pela mesma gavetinha e recebi um micro papel com uma conta bancária e um valor. Ela me disse pra ir imediatamente no banco para pagar a taxa naquela conta escrita, e voltar com o comprovante para que se iniciasse o processo para a emissão do visto. Tentei perguntar se poderia pagar ali, mas ela repetiu a resposta. Ok, lá fui eu.
   O dia tava quente e eu não conheço bem o bairro. Tive que procurar a agência. Verão no Rio. Um calor enorme.
   No banco, depois de uma boa fila, o atendente riu do tamanho do escrito. Se ele soubesse o cuidado que tive com aquela tira de papel. Sabia que a senhora do consulado era de poucas palavras e não queria que nada desse errado.
   Voltei. Já era meio-dia. Encontrei pela primeira vez uma fila. Todos deixam pra resolver suas coisas na hora do almoço. A maioria pareciam ser estudantes e a papelada parecia ser bem maior do que para um turista. Reparei numa garota sentada com o namorado que folheava documentos em uma pasta muito cheia para apresentar.
   Na minha frente, tinha um rapaz, também vestia roupa social. Na vez dele, foi atendido pelo rapaz. Pelo que vi, ele entregou os mesmos papeis que eu, junto com o passaporte, e fez a mesma pergunta que eu tinha tentado fazer: Se poderia pagar lá mesmo. A resposta foi sim. Prefiro acreditar que o assunto dele era outro. Ouvi dizer que na parte burocrática, na Russia, se podem ter respostas diferentes pra mesma pergunta. Na hora, fiquei chateado. Mas quem já foi a uma fila da Caixa Econômica ou do INSS sabe que aqui, em lugares burocráticos, a coisa não é tão diferente assim. Recebi o meu recibo e o prazo de 10 dias. Eles podem entregar antes, mas a taxa é mais alta.
   A terceira visita foi pra pegar o passaporte com o visto. Confesso que a sensação foi como se tivesse ganhado um premio. Era o primeiro sinal físico da minha ida. Com o voucher até fiquei nervoso se o papel iria chegar, se iria extraviar, mas o visto era o primeiro momento real.
   Posso comprar as passagens.
Observação: Saiu na imprensa em maio de 2010 (ainda estava viajando) a isenção do visto russo para viagens de turismo. Tinha sido assinado um acordo anteriormente entre os presidentes do Brasil e da Rússia em 2008, mas que não valia para o cidadão comum e que precisava de regulamentação. Maiores informações no site da Embaixada Russa.

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