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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

De Lenin a Churchill - Vilnius, Lituânia (2º dia)

Voando pra Vilnius
   Resolvi dividir os dois primeiros dias da seguinte forma: o primeiro, o voo Air France e o segundo, os primeiros momentos em Vilnius, apesar de ter sido tudo no mesmo dia: de acordar no primeiro voo da Air France até o fim do dia em Vilnius, porque tantas coisas aconteceram pra um só dia, com lugares e situações tão específicas que, na minha cabeça, foi como se realmente tivessem sido dois dias diferentes.
   Os voos estrangeiros são muito mais baratos que os nossos, mas em muitos deles, como no Air Baltic, tem que pagar por mala a ser posta no bagageiro e pela refeição. Senti certa saudade das barrinhas de cereal.
   Do meu lado, se sentou uma garota. Bonita e bem vestida. Só conversamos um pouco e sobre o esquema da comida. Ela me disse que conhecia o piloto e que ele tinha liberado o jantar pra amiga. Ela me ofereceu um pouco. Apesar de estar com fome, não iria atacar a refeição dela. Educadamente agradeci e recusei.
   Em Vilnius, somente a casa de câmbio estava aberta. Lá era sexta-feira, as 21 horas. Pro meu relógio biológico, eram 16 horas.
   Parei no ponto de ônibus. Fui procurar qual me deixaria na cidade velha. Aparentemente, o ponto era mais afastado e já teria passado o último carro. Um garoto se aproximou. Ele falava um pouco de inglês. Estava com a mãe, que só falava em lituano. Ele me disse que o ponto seria ali. A forma de ver o horário dos ônibus, era girando uns cilindros no poste. Só aprendi depois.
   No ônibus, me sentei ao lado de uma senhora e perguntei pela cidade velha. Não falava inglês. Mostrei o mapa. Ela me disse que não passava lá (linguagem universal: gestos) e pra saltar no ponto Armada (se a memória já não me falha). Fui falar com o motorista. Ele nem quis conversa, dizendo "no english". Insisti, repetindo o nome do ponto. Resolveu me dar atenção e me deixou no tal ponto.
   Lá, não tinha nada além de um posto de gasolina (sem frentista). Agora sim. Tô perdido. Parou uma caminhonete e o cara começou a abastecer. Pensei: "se não falar com esse cara, vou dormir no ponto, literalmente" e corri antes que ele terminasse. Perguntei se falava inglês. "A little", respondeu. Perguntei pela cidade velha, ele me ofereceu carona. Apesar do receio, era melhor do que ficar ali. Ele me contou que teve um parente que morou em São Paulo. Que bom, estou em casa... haha
Entrada da vila, onde fica o albergue
   Minha carona me deixou perto da rua do albergue e chamou uma garota que passava. Ela disse que trabalhava justamente no meu albergue e que estava num happy hour e que, por coincidência, só tinha ido alí pra buscar alguma coisa. Me apontou o endereço.
   Me perdi um pouco. Era uma vila de prédios. No meu prédio, a colocação da placa me fez subir um andar a mais. Bati na porta. Uma voz de homem gritou: "NO HOSTEL !!!". Acabei achando.
   Troquei de roupa (sem roupa de trabalho, aleluia) e fui procurar um lugar pra me divertir a noite.
   No albergue, achei duas opções na internet e fui ver como eram. O primeiro foi legal. Se chamava Artisti. Tocava pop e parecia muito com bares daqui (Bar, mesas, pista de dança). Fiz amizade com uns caras. Um deles tava super bêbado. Foi assim, um dos caras veio do nada abraçando e tal. Em seguida, um amigo dele veio me pedir desculpas. Voltou um tempo depois me convidando pra mesa deles. Depois de umas conversas e bebidas, fomos pra pista de dança. O mesmo que tinha me abraçado ficou em cima da mulherada. Resultado: foram convidados a se retirar. Comecei bem. Tentei conversar com o segurança. Ele me disse pra tomar cuidado. Depois entendi a questão. Um deles era russo. Um problema na Lituânia. E todos bêbados, afastava a clientela. Me convidaram pra ir com eles. Resolvi ir. Pegamos um táxi. Eles esqueceram um amigo deles, justamente o mais bêbado e que tinha causado todos os problemas. Voltamos com o táxi. Dessa vez, eu fiquei.
   Não quis terminar ali a noite e fui pra um lugar chamado Bix. A casa tinha três andares, mas o subsolo era o principal. Parecia uma caverna comprida, onde tinha o bar e, no final, tinha a pista de dança. Só rock... o mais leve era Linking Park. Muito bom. Um cara se aproximou de mim. Me levou a mesa dele. Estava com a irmã e o cunhado. Lá me vi eu de novo, conversando. Só sai de lá quando o bar fechou, às 3 da manhã, conversando com um outro pessoal que conheci depois, quando de volta a caverna.
   Estava bêbado, com frio, perdido, com vontade de ir no banheiro, mas feliz. Olhei no relógio e eram 20 horas no Brasil. Não estava no trabalho, nem no engarrafamento. Estava em uma cidade que parecia uma vila medieval. Pequena e agradável, com um povo que se aproxima e quer conversar, mesmo só falando em lituano. Me senti em casa mesmo tão longe.
   Mas, já dentro da vila, o álcool fez o seu efeito. Entrei no albergue. Fui direto dormir.

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