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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

De Lenin a Churchill - Vilnius, Lituânia (4º dia)

   Parei de postar por uns dias. Estou com visita em casa. Uma coreana que conheci no albergue a Estônia. Assunto pra uma futura postagem.
Portal da cidade
  O motivo de ficar no albergue era dormir. No final, acabei ouvindo os lamentos até a madrugada de uma professora de inglês inglesa (ficou estranho, mas pior que era) totalmente  bêbada, triste com a vida, afogando as mágoas do trabalho e do amigo morto. Foi bom pra treinar o inglês. Apesar dela ter me dito que o meu sotaque era como o de um russo...
   Tirei o último dia em Vilnius pra andar pela cidade. Tentei entrar nas igrejas, mas era de manhã e as missas estavam acontecendo. Tirar fotos e comprar alguns souvenirs, como autenticar moedas do tempo dos soviéticos.
   Acabei indo no museu da KGB, a polícia secreta russa. Um lugar triste, mas muito importante.

   O prédio era uma antiga prisão deles. Em um andar, mostrava como eram tratados os presos, desde a recepção até as celas. Uma sensação horrível. Entrar nas celas e na solitária. Ver aquelas paredes com  escrita de homens e lembrar que alguns nunca mais viram o mundo fora daquelas paredes.
"As vítimas da ocupação soviética"
   A KGB, antes de sair do prédio, pintou tudo, tentando ocultar as suas práticas. Os que sobreviveram àquele lugar e a procura pela parede original mostrou os fatos exibidos lá.  Em outro andar, mostravam como eram as minas de trabalhos forçados. O simples fato de serem padres eram um crime. Era uma espécie de resistência. Podia-se ver o lugar do banho de sol dos presos, que no início, só podiam andar em círculos,  sob a mira de uma arma. Depois, se passou a dar uns minutos para que se sentassem. Uma última sala, continha a sala de execução. Com piso de vidro, com objetos pessoais dos mortos, se dizia que a KGB negava que aquela fosse a função daquela sala.


As margens do rio 
   Resolvi andar um pouco mais pela cidade. Ver um pouco mais da cidade velha e sair dela também e conhecer um pouco mais de Vilnius. Atravessei a ponte que saia da cidade velha e caminhei ao lado do rio. Meu objetivo final era a igreja de São Pedro e São Paulo. Tinha um longo caminho pro tempo que tinha até o ônibus para Moscou.
"Porto de Negócios de Vilnius"
  Vi prédios  novos,  uma cidade ativa. pessoas passeando de bicicleta, até que cheguei numa praça.
   Ali eu vi o povo nas ruas, brincando e andando.
   Me sentei na grama pra descansar. De um lado, um pessoal jogando voleibol, do outro, fazendo embaixadinha com a bolinha. Realmente muito popular em Vilnius.
Voleibol na praça
   O pessoal da bolinha reparou que eu estava vendo eles jogarem. Começaram a caprichar mais. Eram realmente bons.
   Andando mais um pouco, perdi um tempo procurando a entrada de uma igreja. Estava fechada. Sempre tem uma viuva aparentemente pobre na porta das igrejas. Continuando andando.

Dentro da Igreja de São Pedro e São Paulo
    Andei, andei, andei, até encontrar... aleluia, cheguei na igreja de São Pedro e São Paulo. Primeira vez que vi grupos de turistas em Vilnius. Estava achando que não existiam. A igreja é muito linda por dentro e me chamou a atenção um navio de arame ou algo parecido em cima do altar. A caminhada realmente valeu a pena.
   Saindo de lá, pensei em pegar um ônibus pra Cidade Velha. Não sabia qual pegar. Melhor ir andando. O tempo estava apertado, mas naquele momento era melhor andar devagar do que pro lado errado.
Torre Gediminas
   Nesse caminho de volta, dei de cara com a entrada do teleférico da torre Gediminas. Quando tentei ir lá com as minhas amigas, o estava fechado. Tinha que aproveitar a oportunidade de ver a vista de lá. Fui subir. O atendente demorou a aparecer. Ele estava despreocupado e eu morrendo de pressa. A fila foi se formando atrás de mim. O homem não falava inglês. Dei as litas do bilhete. Já estava acostumado a linguagem universal dos sinais. Passar a roleta e subir.
   O dia estava bom e as pessoas se sentavam no gramado ou no pequeno muro ao lado da torre. De lá, já dava pra se ver um pouco da cidade. Um bom lugar pra relaxar.
Dentro da torre
   Na entrada, o lugar parece simples e a porta pesada. Tem que pagar pra subir. Se sobe uma escadaria para os salões. Muito simples, mas bonito. E a vista de cima, de toda Vilnius, é bem interessante. Estava tirando algumas fotos do   salões são muito bonitos, com algumas fotos e explicações e alguns poucos moveis e bandeiras. Tinham alguns turistas, mas nada comparado com Paris ou Londres. Prefiro assim. Tenho mais tempo pra observar as coisas.
Morro das Três Cruzes
   Lá em cima, enquanto tirava as fotos, escutei alguém falando em inglês, mas com um sotaque que me parecia ser o de um brasileiro. Eram dois caras e uma linda mulher visivelmente lituana. O cara que falava mais, só elogiava a sua terra. Quando olhou pra mim, mudou de direção, como me evitando. Deveria ser ele o único brasileiro do lugar? ok... Fique a vontade...
   Hora de voltar. Corri para o albergue. Peguei as minhas coisas e sai. Esqueci meu sapato social (não se esqueça que sai direto do trabalho... :-) ).
Igreja de Santa Bernadette
   Fui seguindo ao lado de uma linha de trem. Não tinha certeza da onde ficava a rodoviária. Passei ao lado de um Mc Donalds. Uma funcionária varria a grama. Tentei tirar a minha duvida. Ela sorriu meio sem graça dizendo que não falava inglês. Lembrei que tinha lido no guia de conversação russo que levei que ônibus em russo era "aftobus". Pensei: "vou tentar o russo, afinal de contas, a Lituânia já foi mandada por Moscou". E ela: "ah !!!! autobusu !!!!" E me apontou o caminho.
Centro da Cidade Velha
   Na rodoviária, tentei tirar a dúvida no guichê sobre a passagem e lá, me disseram que era só entregar o papel que tinha entregue ao motorista. Apesar de ter visitado Vilnius, cheguei no horário pra pegar o ônibus, mas ele não chegou no horário.
   No ônibus, tive sorte. Fiquei com dois bancos só pra mim. Tinha uma ajudante que falava inglês muito bem. Dormi muito e claro, fui tirando algumas fotos no caminho.
   Vou falar mais dessa viagem no próximo post. Afinal de contas, é a hora da coisa realmente ficar russa...

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